Confissões atrasadas, eu diria.
25 de novembro de 2007
Tinha mesmo essa estranha mania de contemplar o passado. Fosse pelos bons momentos, ou até pelos erros do passado que não cansavam de passar deixar um oi de vez em quando aqui no presente.
Tinha os olhos meio inchados pelo cansaço e a aparência fadigada de alguém desesperado. Tinha o futuro em suas mãos e não sabia o que fazer com ele. Gostava da vida. Gostava de acordar e enxer os pulmões de ar, sentir o calor.
O que ela odiava mesmo eram as lembranças. O presente perfeito. O futuro em uma das mãos, leve, como uma bolsa nova pronta pra que você encha de besteiras e lixo… e coisas essenciais. Na outra, o passado, sujo, velho, como uma bolsa desbotada que saiu de moda e não combina mais com nada… com tanto lixo e coisas inúteis dentro que é até dificil distinguir o que vale ou não a pena ter.
E é por isso que ela estava parada, contemplando. Era tão cheio de coisa… tão pesado e… tão passado. Mas ela não conseguia se desfazer dele e nem de nada que tinha lá dentro.
Colocou o futuro de lado um pouco. Segurando o passado com ambas as mãos, olhou-o. E chorou. Tudo o que poderia chorar. Deixou suas lágrimas cairem dentro dele… e fechou. Abriu de novo e tentou inutilmente achar algo de útil ali no meio. Fechou novamente.
Deixara de chorar… andou então em direção a rua. E colocou o passado ali, na lixeira… sentou no chão e ficou ali esperando.
O lixeiro passou… levou o passado embora. O sol começara a nascer e a brisa leve trouxe consigo a esperança e o sorriso de um novo amor.
Olhou pra esquina e finalmente sentiu-se aliviada, leve. Estava feliz com todas as mudanças.
Entrou na casa, pegou o futuro e guardou a esperança, a felicidade e os sorrisos. O sol iluminando o quarto, o coração batendo e o sorriso brotando.
E esse texto não tem fim… porque ele representa o começo. O começo da nova vida, da felicidade, o começo do futuro…
É aqui que eu começo a realmente viver. Saber o porque da minha existência. É aqui que entram as reticências da minha vida, porque ela jamais terá um ponto final…

