Não perturbe!

Você pode se arrepender.

28

de
junho

E não seria a vida um vai e volta sem fim?

Retorno ao meu querido blog, que em parte do meu coração nunca deixei.

O Não Perturbe é para mim um pedaço de vida, da minha vida. E possui recordações que para qualquer leitor comum talvez não signifique mais do que palavras… e eu demorei um certo tempo e 6 meses de uma faculdade de Letras para entender que as palavras nunca serão só palavras.

Mas ainda assim nunca consegui me abrir realmente aqui… nunca quis misturar as minhas impressões de mundo com as minhas impressões de vida e sentimentos, e assim perdi muito porque o meu mundo sempre foi uma mistura do racional com o emocional que só passou a fazer sentido quando eu parei de separar tudo.

É por isso que agora vou postar (alguns! vejam só) textos do meu diário particular que para um leitor comum pode não fazer sentido algum… mas para aqueles que veem nuances no rotineiro cotidiano é um prato cheio.

Espero que gostem =)

 

14 de Maio de 2011

 

Talvez sejam as emoções, ou as recordações, que fazem com que as nossas
ilusões se tornem claras como as verdades deveriam ser.

Não dá para entender que o tempo muda tudo.

E o tempo muda. Tudo. Muda a pele, a cor, o sabor, o saber e o querer. Muda
até a dor.

Muda aquele amor e torna muda a solidão. Torna quieta a angústia.

E nós nos desfazemos de mágoas enquanto colecionamos mais uma situação que a
gente queria que fosse… para sempre.

Mas o tempo muda. Tudo. Muda o próprio tempo. O tempo que nós temos hoje e
daqui um segundo já não teremos mais. O tempo que vem, mas que nunca volta. O
tempo que escreve, mas que não apaga. O tempo perdido, mas não o que se ganha…
porque tempo nunca se ganha.

Mas as emoções, e as recordações, deixadas pelo própio tempo… essas não vão.
Porque tempo não se destrói. Tempo a gente gasta.

13

de
fevereiro

Distenda-se.

É que ela estava ali chorando sentimentos e dores como quem vomita as tripas para fora e eu não podia fazer nada. Eu não podia dizer nada.

E me senti uma completa idiota impotente frente a tristeza que dominava aquele lugar sem poder dizer muito mais do que todo mundo já sabia.

Ela tinha sido feita de idiota. E o canalha idiota que a fez de idiota não era a pessoa linda que ela achou que era. Sim, era ilusão. Eu sei, eu sei, a gente nunca espera se decepcionar com as pessoas e o problema é justamente esse… as pessoas mais hora menos hora nos decepcionam.

E não nos decepcionamos com nós mesmos as vezes? E, na teoria, nos conhecemos muito bem e ainda assim nos decepcionamos com nós mesmos. Não é o tempo que você conhece uma pessoa que vai justificar os atos que ela comete.

Veja bem, eu não estou do lado dele. Jamais estaria. Ela estava ali, chorando as tripas e vomitando sentimentos, e eu não podia dizer o que ela queria: que ele na verdade amava ela, e que o ilusório era real e que o real era só um pesadelo. Apesar de que o real é sempre um pesadelo daqueles que a gente não consegue nunca acordar.

Não há nada muito para se fazer nessa situação se não chorar. Porque, menina, eu sei exatamente como você se sente. O coração comprimido, implodindo aos poucos nesse vazio cheio de sangue pisado que tá dentro do teu peito. E o pulmão que dói, porque respirar dói, pensar dói, viver dói.

E você se afoga dentro de você mesma num mar que não tem escapatória e luta, essa luta cotidiana e dolorida, e sangrenta e maldosamente cruel na qual você sabe que não vai morrer, porque morrer seria fácil demais.

E os dias passam, mas a tristeza não, até que você aprende que ser triste tem lá o seu que de beleza porque a tristeza sempre, sempre é sincera. E percebe que todos aqueles escrombos dentro de você, que fazem com que você se sinta extremamente pesada e acabada dentro de si mesma, só te deixa na verdade menos leve, para que você aprenda a não tirar tanto os pés do chão.

E a dor continua, mas você percebe que é como alongar um músculo. Dói no começo de um jeito que você parece não suportar, até que o músculo se adapta ao seu novo limite e tudo fica muito mais fácil.

Porque amar é isso, é forçar os limites até que eles estourem e fiquem suportáveis.

E então você sorri por ser um musculo estourado buscando forçar de novo todos os seus limites em busca de um novo amor. E contrai sentimentos e reengole as tripas, porque se sente completa simplesmente assim: completamente vazia.

22

de
novembro

Ligue o fuck.

Parei para analisar o meu blog hoje, aproveitando a chuva no dia da folga (valeu, São Pedro) e percebi que algumas coisas em mim continuam tão intactas quanto há 3 anos atrás.

Penso muitas vezes em apagar alguns textos, mas não vejo mesmo qual seria o ponto disso. Não se apaga os erros, não se apaga o que foi dito e eu definitivamente não vou apagar o blog.

Não tenho tempo para postar… e ser bem sincera, nem muita vontade. Eu costumava ser bem mais ativa perante a vida, mas quando a gente se perde pelo caminho, encontrar o caminho certo consome toda a nossa energia e atenção.

Eu devia ter sofrido todo esse dilema anos atrás. O que fazer de faculdade, o que fazer da vida, como arranjar dinheiro, como passar no vestibular? Mas há anos atrás eu tinha todas essas certezas que simplesmente se perderam e agora eu tenho medo. E só.

E isso faz com que eu me sinta infantil demais, poxa. E como eu não quero ficar enxendo o saco de vocês com os meus dramas particulares, eu não posto mais.

Me sinto alienada. Meu trabalho me consome, meus colegas de trabalho me consomem, outras coisas do meu trabalho me consomem.  Com vocês é assim também? Eu quero dizer, ser gente grande é isso? Viver em função do trabalho para ter dinheiro?

Queria tanto antigamente. Queria viajar, queria conhecer gente, queria sair desse meu mundinho e tinha muito nítido que para isso tudo eu teria que trablhar. Eu queria estudar. Agora, quanto mais eu quero e mais eu trabalho, mais distante tudo isso vai ficando. Caramba.

O negócio, como minha amiga diz, é ligar o fuck. Para tudo, ligue o fuck e tente viver mais a la “Mundo de Sofia”. Para quem não leu, é enxergar o mundo como se você fosse um eterno bebê. É não se acostumar, não se acomodar diante dos absurdos mundiais. É achar errado, é achar feio… ou achar a beleza nos defeitos de cada um.

Por que para suportar o mundo, só mesmo pensando que tudo aquilo que nos faz perder a paciência é novidade. Não saber o que vai acontecer é apenas aquilo que me faz levantar. E fingir que eu não conheço as pessoas me faz querer conhecê-las cada vez mais.

 E é assim que eu vivo… expandindo o meu mundinho particular.

25

de
setembro

O dia em que eu faltei ao trabalho.

Hoje eu acordei com uma dor de cabeça do tamanho de um elefante. Era mais como se um elefante tivesse tentado entrar dentro da minha cabeça, e sabecomoé, um elefante não cabe dentro de uma cabeça (dã).

E ok. Eu liguei no meu trabalho e não precisei nem falar que estava mal, porque mulher que sofre de enxaqueca entende e reconhece uma irmã enxaqueca só pela respiração. ‘Fica em casa, toma seus remédios que amanhã é um novo dia’ me disse a minha coordenadora.

E eu vibrei de emoção. Um dia, inteirinho, só pra mim? Uma hora a dor de cabeça passa, ceeeeeeeeeerto? Certo. E ainda mais! Um SABADO, minha gente, SABADO inteirinho pra mim. Ai que dilícia.

Mas eu não contava com essa sensação de vazio dentro de mim. Essa sensação de ‘legaaal, e agora? Eu já toquei violão, já toquei piano, marquei minhas aulas de inglês, tomei meu café com leite, vi meu orkut/email/facebook… não tem mais nada pra fazer!’

Eis que a verdade choca-se contra mim num verdadeiro golpe de misericórdia: eu vivo pelo meu trabalho.

Por DEUS! Eu passo 8 horas dentro daquele concreto capitalista, atrás de balcões, ouvindo clientes reclamarem, cliente se alegrarem, clientes, clientes, clientes… enquanto eu sorrio e repito o mesmo script. E então, me sinto um robô.

Será que é assim que as gentes grandes se sentem? Eu vou almoçar e na sagrada uma hora que eu tenho de descanso a gente fala sobre o trabalho. Eu entro no carro pra vir embora e no percurso até minha casa a gente fala sobre trabalho.

Eu chego em casa e é a mesmo pergunta ‘como foi o trabalho?’ e aí eu vou dormir e… sonho com o trabalho!

Mesmo pq eu trabalho 8h20, mas eu levanto pelo menos 3 horas antes pra me arrumar, e demoro pelo menos mais 3 horas pra chegar em casa. Eu vejo meus colegas e amigos de trabalho todo dia, o dia inteiro e… meu Deus.

Preciso urgentemente arranjar uma vida, voltar pra academia, começar o meu francês, reaprender a falar ‘Alô’ quando atendo ao telefone (e não Livraria Cultura, Andressa, bom dia/tarde/noite), e que quando encontramos uma pessoa nós devemos dizer ‘Oi’ e não ‘A reserva está no seu nome mesmo?’.

Acho que estou enlouquecendo… e aí então a minha dor de cabeça volta e eu volto pra cama desejando que esse dia acabe e eu possa ir pro trabalho, porque lá, ao contrário da minha vida, eu sei exatamente o que fazer.

20

de
setembro

Recomeço.

Eu acho que o blog todo acabou meio que perdendo o sentido pra mim. Sabe como é, eu sempre tive essa necessidade incontrolável de falar, desabafar… nem sempre sei bem como e por isso eu escrevo. Antes da paixão me vem a necessidade. E querendo ou não esse é o meu blog. Nele eu falo o que eu quero sobre a minha vida, mas todo mundo sabe que nem sempre é assim.

Antigamente eu tinha uma visão mais clara da vida. Era tudo bem mais simples, eu ia pra escola, tinha uma porção de amigos, não fazia mais nada além de estudar. Só que a gente não percebe que quando a gente se forma, na verdade, estamos todos mergulhando de cabeça num abismo sem fim.

Eu me formei há dois anos e até agora isso tudo é novidade pra mim.

Eu trabalhei em 3 lugares, conheci inúmeras pessoas… pouquíssimas ficaram comiga, muitas ficaram nas lembranças e algumas mais no coração.

Fiz um ano de cursinho, seis meses de faculdade e ainda não me encontrei.

Terminei um namoro, namorei outra pessoa, conheci outras mil, recomecei um namoro.

Eu fiz mais coisas, disse mais coisas, pensei mais coisas em 2 anos do que em toda a minha vida. Culpei pessoas pelas minhas falhas, culpei situações pela minha infelicidade sendo que a grande culpada de tudo sempre fui eu mesma.

Ganhei muitas coisas, disso não tenho duvida. Nem sempre os caminhos são limpos ou fáceis, mas gosto de pensar que eu me tornei uma pessoa melhor.

Ainda não sei o que fazer da vida, e as vezes penso que muita coisa continua igual como se o mundo girasse enquanto eu não saio do lugar… mas independente, esse post marca a mudança que eu finalmente enxerguei em mim mesma. A mudança de que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas e que acontecem coisas demais nesse mundo para passarem despercebidas.

E eu sempre achava que no fim a gente acabava sozinho… mas a verdade é que nunca vamos estar sozinhos… porque eu aprendi que os laços, que as relações e amizades que temos são o que há de mais importante… e isso não pode passar um dia em branco.

Caio Fernando de Abreu diz que o maior defeito do ser humano é se acreditar imortal… e é a mais pura verdade. Porque quando chega a noite, um pedaço de nós sempre morre… e tudo que escoamos de dentro de nós para o mundo é que fica.

Todos os dias eu quero que as pessoas que eu amo saibam o quanto eu as amo. E eu sei que eu tenho um jeito estranho de mostra isso… mas eu amo… e amo tudo. E acima de tudo, a minha família. Estranha, neurótica e linda do jeito que ela é.

Então, raros leitores do NP… vamos pegando uma vassoura aew e começa a limpar… uma nova era de pensamentos e desabafos está pra começar.

Bem-vindos de volta =]

18

de
julho

Sobre familia, sapatos e tecnologia.

Quando eu era pequena, tá, bem menor do que eu sou hoje ueréver, meu pai foi visitar lá aquele povo da América do Norte e me trouxe um tênis de presente. Tipo, uau. Era um tênis, assim, totalmente sem cadarço, todo estilizado, e eu não via a hora de por o tênis no pé.

Acontece que eu não consegui calçar os tênis, porque, graças a Deus (ou a biologia, vai de cada um) eu nasci com um pé direito E um pé esquerdo. Tá, e dai? E dai que quando eu abri a caixa tinha dois pés esquerdos.

TCHAM TCHAM *música de suspense dramático (?)*

E como nós, familia feliz e unida, iríamos destrocar aquele par de sapatos? Não iríamos, porque o tênis era lá do povinho do mal, e o selinho de troca não ia valer até o dia em que eu fosse velha (e rica) o suficiente para ir lá trocá-lo.

Ficou valendo mesmo a intenção.

Eu lembrei disso porque essa semana eu fui comedida por uma dor que, ironicamente, fez com que eu me sentisse bem. Fez com que eu me sentisse bem porque fez com que eu tivesse 5 dias de atestado e pudesse vir para São Paulo ficar um tempo com a minha família, o que há muito (por causa da Livraria Cultura) eu não conseguia fazer.

E eu aproveitei cada minuto dessa vinda. Desde a estrada que eu incansavelmente quando criança trilhava todo final de semana, e que agora velha eu já nem lembrava mais como era, até os passeios sagrados ao shopping com a minha tia, sempre regados a compras, McDonalds, stresses e afins. Era como ter a minha vida velha de volta. Aquela vida que a gente não precisa de muito para ser feliz.

A vida tem mesmo dessas coisas, não? A gente não deveria ter que ter motivos para nos lembrar do quanto a nossa família, ou o sorriso de uma criança, ou o abraço de um primo faz a gente feliz. Ou o quanto a casa cheia, os gritos, tudo aquilo nos traz de volta um sentimento bom. A gente não deveria esquecer disso nunca.

Então, por que é que a gente esquece?

Meu tio comprou um Nintendo Wii para os meus primos.

Eu sempre achei que toda essa tecnologia afeta as crianças, faz com que as pessoas se tornem frias, se tornem sozinhas… mas nesse final de semana, o Wii aproximou todo mundo.

E é a coisa mais linda do mundo ver todo mundo junto, se divertindo.

Refletindo sobre isso percebi que a tecnologia nada mais faz do que tentar aproximar cada vez mais as pessoas. O mundo anda tão corrido, tão cheio de trabalho, estudo, dinheiro, ganância, ambição, que as redes sociais, os video-games, Second Life, MSN ueréver só existem para que essas pessoas (como eu) que não tem tempo (como eu) possam não se sentir cada vez mais solitárias e esquecidas.

Esse final de semana me fez refletir e ver muita coisa. Me fez ver que a minha família é sim tudo para mim. Me fez ver que não interessa o quanto eu trabalho ou estudo, nenhum dinheiro ou sucesso no mundo pode substituir um abraço dos meus primos dizendo ‘dome ati, eu amu vuxe, num vai embola’ (dorme aqui, eu amo você, não vai embora, para os leitores desprovidos de linguagem infantil) e que se a vida é difícil é porque em algum momento você deve ser recompensado.

Então eu sou grata pela minha dor no rim. Sou grata por me mostrar que ainda há tempo para recuperar tudo isso, que há tempo de ver que cansaço nenhum pode me impedir de fazer o esforço de querer estar perto de quem me faz bem. Porque eu já sofro demais com horários, com a sociedade, para ficar me afundando em mágoas quando tudo que eu necessito já está aqui.

Sou grata por me fazer perceber que irreversível, só mesmo trocar os tênis que eu ganhei do meu pai quando pequena, porque o resto… o resto é simplesmente consequência de atos (bem ou mal) pensados e executados.

Agora, com licença, é a minha vez de jogar boliche no Wii (que por sinal, invicta contra meu pai, que disse que as mulheres não tem coordenação - assunto para ooooutros posts. rs. Te amo, papo! =D)

2

de
julho

Brasil perdeu.

E devido ao meu post abaixo, eu me sinto culpada.

Desculpe-me, Brasil.

 

Mesmo porque 2014 é nosso.

1

de
julho

‘Mãe, tô doente…

- Por quê, filha?

- Tô enxergando tudo em verde e amarelo. =S’

 

Meu Brasil brasileiro… CHEGA.

Cessem as bebidas, calem as vuvuzelas, PAREM DE AGIR COMO IDIOTAS.

E voltem a comprar na Livraria Cultura, pois esse mês vocês, torcedores fanáticos, foderam com a gente por causa do futebol. Shame on you, clientes fiéis.

Fica aqui o meu apelo. Futebol x Educação.

Tenho algumas teorias pra diminuição de vendas de livros (as quais eu demorei um certo tempo para chegar, admito) e ei-las aqui:

1) As pessoas gastam o dinheiro que supostamente deveriam gastar em boas leituras e afins em bebidas e bares, vuvuzelas, acessórios verde e amarelo e remédios para a garganta (depois de mandar o Galvão calar a boca 500 vezes por minuto, quem não precisa?)

2) O trânsito é insuportável e ninguém vai querer ficar mais de duas hora para atravessar a cidade para comprar um livro em dia de copa.

3) Futebol é lavagem cerebral.

4) Não tem 4.

Enfim, inutilidades e tudo mais, quero começar a postar mais no blog. Mas é tão difícil, queria comentar a copa de um jeito profundo e legal como o meu amigo (ele não sabe que é meu amigo, mas eu sempre li os blogs dele e eu considero ele amigo, então shiu) postou aqui. Mas to no trabalho e não tenho tempo para a devida pesquisa que meu post necessita.

Então fica aqui o meu apelo: não parem de viver porque o Brasil está em campo… porque enquanto os jogadores enxem o cu de dinheiro a cada partida, eles descontam do meu banco de horas a cada partida e da comissão dos vendedores da livraria.

Não somos todos astros e estamos torcendo para ficar pobres.

Se eu pedir por favor, ajuda? hahah

13

de
junho

Dia dos solitários

Alguém já parou para reparar que as únicas pessoas que se importam com os dias dos namorados, são as solteiras??

Tipo, não que os namorados não comemorem a data ou achem que não tem importância, mas pelo menos eu não conheço nenhuma amiga que namora que fica contando os dias para os dias dos namorados. Muito pelo contrário… alguns até não gostam pois vão ter que se desgastar pensando no que vão dar de presente e que vão ter que gastar dinheiro e etc.

Então, eis minha conclusão: além de um dia de puro marketing e capitalismo, o dia dos namorados é a dose de veneno perfeita para as pessoas encalhadas solteiras que só procuravam um motivo para chorar a sua solidão.

Afinal, qual a graça do dia dos namorados, para você, pessoa que namora? Para uma pessoa que namora não são todos os dias dia dos namorados?

Eu sei, eu sei, muitos devem estar pensando ‘o que essa recalcada tá falando? só fala isso pq é solteira’ mas é fato, meus queridos. Eu sou solteira, mas isso não significa que eu sou triste!!

Aliás, esse é outro ponto importantíssimo da nossa questão: por que é, meu Deus, que quando eu falo que estou solteira as pessoas me olham com cara de dó? Tipo aquela cara meio viradinha de lado com as sobrancelhas apontadas para lados opostos e uma cara de compadescência.

Eu apenas disse que sou solteira… mas é quase como se eu tivesse dito que sou inválida!

Tipo, oi?

Não sei o que houve com o mundo… acho que essa desumanização que as pessoas andam sofrendo ultimamente, faz com que elas tenham uma vontade invencível e uma necessidade impulsiva de estar sempre com alguém ao lado. Será que é mesmo necessário?

Não vou dizer que sou 100% feliz estando sozinha e que não preciso de ninguém… mas quando eu namorava eu também não era 100% feliz e ass vezes precisava ficar sozinha!!

É o dilema da vida… minha mãe diz que com o passar dos anos a gente vai se descobrindo cada vez mais sozinho, não importa quantos casamentos, amigos ou filhos você tem. Isso de certa forma me deixou triste, mas só por um minuto ou dois.

Eis a cruel verdade da vida: nascemos sozinhos, aguentamos a consequencias de nossos atos sozinhos, pensamos, respiramos, vivemos sozinho e morreremos sozinhos. A vida não para se você não tem alguém para compartilhar, o tempo não para porque a vida de cada um é única e singular.

Biologicamente falando, as pessoas apenas se relacionam para procriar a espécie… essa história toda de vínculo amoroso nada mais é do que padrões de uma sociedade… tudo isso porque uma pessoa um dia resolveu que para ter filhos precisaria se casar. E então, tudo descambou.

As pessoas precisam perder a mania de achar que só vão ser felizes com alguém que as complete e ~ficam tão cegas por isso que não enxergam que já são completas, precisam apenas de alguém que as acrescente algo. Afinal, é assim com tudo na vida.

Algum grande escritor disse ‘para ser feliz com uma pessoa, você precisa primeiro não precisar dela.’ e é a mais pura verdade. Sejamos felizes sozinhos para poder partilhar felicidade, porque construir felicidade a dois, nos dias de hoje, é construir felicidade pela metade.

Amor-próprio. Esse é o amor que nunca morre.

 

Então viva o dia dos solitários! 

 

 

ps; mesmo porque, se os namorados tem um dia, por que não existe um dia dos solteiros??

10

de
junho

Elenita, quem?

Sempre fui muito interessada pelo comportamento [des]humano. É engraçado esse misto de diferenças de estilos, diferenças de personalidades e ainda mais: como todos nós lidamos com todas essas diferenças.

Tentar ser coerente e não perder a cabeça se torna completamente inútil nesse medley de pessoas que o mundo é. Hora ou outra vamos nos irritar, hora ou outra vamos ter que extravasar e achar que somos pessoas horríveis por isso é o que irá nos fazer mal de verdade.

Mas vamos direto ao ponto - afinal, eu vim aqui por um motivo, juro - trabalhar numa livraria está me abrindo a mente para vários aspectos da convivência [em geral] com humanos.
Ando vendo tantas coisas bizarras, tantas situações estranhas e as vezes me pergunto se sou estranha toda vez que olho fascinada para um cliente espumando de raiva [sim, eu sei que provavelmente eu sou mesmo, mas e daí? Juro que é interessante].

São tantos livros, tanta gente, tanto tanto que é difícil não aprender algo novo todos os dias. Acho até estranho eu não ter vindo aqui postar antes alguma coisa a respeito - acho que é porque andei meio em inércia esses últimos meses. Mas hoje algo realmente me chamou atenção: bipando e fichando os livros para guardar na estante [o que eu, por sinal [ironia] A-DO-RO [/ironia] fazer] me deparei com o livro O Homem ideal e outras conversas  da Elenita Rodrigues.

OK, essa deve ser a hora que você está me perguntando: QUEM diabos é essa pessoa? Siiim, eu me fiz essa mesma pergunta - mesmo porque o milagre da maquiagem agiu sobre ela e ela ficou irreconhecivelmente bonita na capa - até que eu vi a ‘pequena’ tarja em AZUL CORAL que vem junto com o livro: ELENITA DO BBB10, LIVRO INSPIRADO NO BLOG ACASOS [alguma coisa, sei lá, minha memória não é tão boa assim para porcarias] ETC ETC ETC.

Tipo, oi?

Eu não sei por que eu ainda fico abismada com essas sub-celebridades que acham que só porque foram para o BBB são alguém na vida.

Gente, eu juro, é um livro pequeno, com uma capa que mais parece uma capa de cd e outras coisas ridículas escritas que fazem com que ela pareça REALMENTE uma pessoa que deve ser ouvida para falar sobre O HOMEM IDEAL.

Só eu vejo a discrepância disso?

Talvez eu esteja sendo um pouco imparcial - não é segredo para ninguém que eu não suporto a Elenita - mas, sério, eu não consigo levar a sério uma pessoa que tem um livro com uma tarja azul coral escrita ’se você gostou da Elenita, leia seus textos, se não gostou, leia e descubra por que deve gostar’.

Na real, ela é Doutora em Línguistica, e eu, fazendo Letras na faculdade não posso admitir que uma pessoa com a formação dela tenha se vendido tanto a uma mídia apelativa e ridícula como essa.

A grande verdade é que hoje em dia não interessa mais a sua personalidade, a sua formação ou qualquer outro desses valores que nos são ensinados desde piticos - o que interessa hoje é apenas fazer aquilo que faz do mundo um grande circo. É entreter as pessoas e enganá-las a ponto de achar que o mundo não é profundo, que as pessoas não tem sentimentos e que todo mundo devia ser fútil.

Esse mundo raso é a tendência… mas eu sinto muito, eu não vou ler sobre o Homem Ideal, porque de textos colegiais, já me basta o meu próprio blog.

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